Túnel Santos-Guarujá: contrato assinado, R$ 28,2 milhões liberados e obras só em 2027. O que falta?
PPP de R$ 6,8 bilhões com a Mota-Engil, empréstimo de R$ 2,57 bi do BB e operação prevista para 2031. O VLT no túnel ainda não tem contrato, e União e Estado disputam a paternidade da obra.
Prometido há mais de um século, o Túnel Santos-Guarujá entrou em 2026 como a principal vitrine política da região, dividida entre o governo Tarcísio e o governo Lula. No fim de setembro, o Estado liberou mais R$ 28,2 milhões para a obra. No debate presidencial da Globo, em 23 de outubro, o túnel voltou a ser citado. Mas as máquinas só chegam ao canal do porto em 2027. Veja onde o projeto está.
O que já está assinado
O contrato da parceria público-privada foi firmado em 28 de janeiro de 2026 entre o Governo de São Paulo e o grupo português Mota-Engil. A concessão dura 30 anos e inclui projeto executivo, obras civis, operação e manutenção.
O investimento total estimado é de R$ 6,8 bilhões. Desse valor, R$ 5,1 bilhões vêm do setor público, divididos em partes aproximadamente iguais entre União e Estado, e R$ 1,7 bilhão dos investidores privados.
Em 13 de abril, União e Estado formalizaram o empréstimo de R$ 2,57 bilhões do Banco do Brasil, com garantia do Tesouro, para cobrir a contrapartida paulista. Prazo de 23 anos, 12 meses de carência e taxa de CDI mais 1,59% ao ano. A assinatura aconteceu sem a presença do governador Tarcísio, como noticiou a IstoÉ Dinheiro.
Os R$ 28,2 milhões de setembro
Em 28 de setembro, decreto estadual liberou R$ 28.249.984 como crédito suplementar ao orçamento da Secretaria de Parcerias em Investimentos, segundo o portal Metrô CPTM. O aporte se soma a valores anteriores e banca a fase atual, de projeto executivo, levantamento das áreas a desapropriar e licenciamento ambiental.
Cronograma: 2027, 2030, 2031
Segundo o governo estadual, 2026 é o ano de fechar o projeto e as licenças. As obras preparatórias, com fabricação dos módulos de concreto e estruturas de acesso, começam em 2027. A montagem do túnel vai até 2030 e a operação está prevista para 2031. Alguns veículos citam entrega em 2030; o contrato prevê 2031.
O túnel terá cerca de 1,5 km de extensão, com 870 metros imersos sob o canal de acesso ao Porto de Santos, construído com módulos pré-moldados assentados no leito. A travessia, que hoje leva perto de uma hora por rodovia, cairá para menos de dois minutos.
O VLT ainda é promessa
O projeto reserva espaço para uma linha do VLT ligando as duas cidades, tratado como peça-chave para transformar o veículo leve em eixo de transporte da Baixada e reduzir a dependência das balsas e catraias. Mas, como alertou o Metrô CPTM, a implantação do VLT no trecho ainda depende de etapas posteriores de projeto, integração operacional e definição de investimentos específicos. Ou seja: o túnel rodoviário tem contrato; o trilho, não.
Quem reivindica a obra
A disputa pela paternidade política do túnel marcou a campanha. Do lado estadual, o deputado Paulo Mansur (PL), único reeleito da região a ampliar votos, listou o túnel entre suas conquistas ao lado de Tarcísio, junto com o Trem Intercidades. Do lado federal, a Agência Gov apresentou o empréstimo do BB como "operação do Governo do Brasil" que garante a conclusão da obra.
Há também um ponto de atenção: em março, o Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de repasses federais para a obra, segundo a VTV News. Não há registro público de que a medida tenha sido revertida ou de que afete o cronograma anunciado.
Por que importa para 2028
Em um cenário em que Tarcísio venceu nas nove cidades da Baixada e Lula virou em São Vicente e Mongaguá, o túnel é a obra que os dois governos querem inaugurar. Para Santos e Guarujá, cujos prefeitos Rogério Santos (Republicanos) e Farid Madi (Podemos) terminam o mandato em 2028, o início real das obras em 2027 será o teste de que o projeto saiu do papel.
Fontes consultadas: Metrô CPTM (28/9), Agência SP, Agência Brasil, IstoÉ Dinheiro, Agência Gov, VTV News, VTV News · Paulo Mansur, Portal oficial do Túnel.