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26 de outubro de 2026

Câmara de Santos em outubro: subsídio do ônibus a 55%, homenagem retirada sob protesto e o 'time do verde e amarelo'

Projeto do prefeito passou por 17 a 1 em primeira discussão. Requerimento de Sergio Santana para homenagear Eduarda Campopiano foi retirado após manifestantes lotarem as galerias.

Câmara de Santos em outubro: subsídio do ônibus a 55%, homenagem retirada sob protesto e o 'time do verde e amarelo'

Outubro foi um mês carregado na Câmara de Santos. Entre o primeiro e o segundo turno da eleição nacional, o plenário aprovou em primeira discussão o aumento do subsídio ao transporte coletivo, viu uma homenagem polêmica ser retirada de pauta sob protestos e terminou a última sessão antes do dia 25 com oito vereadores de camisa verde-amarela.

Subsídio do ônibus: de 25% para 55% do IPVA

O projeto mais importante do mês veio do Executivo. O prefeito Rogério Santos (Republicanos) propôs elevar de 25% para 55% a fatia da arrecadação do IPVA repassada ao transporte coletivo. O teto de 25% vale desde 2015 e, segundo a Prefeitura, já não é suficiente para manter a tarifa em R$ 5,25.

Em primeira discussão, o texto passou por 17 votos a 1. O único voto contrário foi do vereador Rui De Rosis Junior (PL). Vereadores apresentaram emendas, entre elas uma do vereador Chita para permitir repasses também aos permissionários das lotações. As emendas ainda seriam analisadas pela Comissão de Justiça e Redação antes da votação final, segundo A Tribuna.

O debate sobre a tarifa não é novo. Ao longo de 2026, A Tribuna registrou um projeto de tarifa zero parado na Casa e questionamentos de vereadores sobre o aumento do subsídio municipal. A votação final em segunda discussão não havia sido noticiada até o fechamento desta matéria.

Homenagem a Campopiano sai de pauta

O episódio de maior repercussão, com cobertura de Metrópoles, NC News e Diário do Centro do Mundo, foi o requerimento nº 5256/2026, do vereador Sergio Santana (PL), que propunha voto de congratulações a Eduarda Campopiano (PL), vereadora de Praia Grande eleita deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos.

Santana apresentou a proposta na semana anterior, argumentando que a votação expressiva representava o reconhecimento dos eleitores paulistas e um resultado importante para a Baixada. Vereadores do PT e do PSOL convocaram um protesto, e na quinta-feira, 15 de outubro, manifestantes lotaram as galerias da Câmara, que comportam 116 pessoas, com cartazes contra a homenagem.

As críticas se concentravam em declarações da deputada eleita de que "feminicídio não existe" e de que homens seriam naturalmente mais agressivos. Débora Camilo (PSOL), também eleita deputada estadual, escreveu nas redes que Campopiano "expõe o verdadeiro pensamento da extrema direita sobre as mulheres".

No início da sessão, o próprio autor retirou o requerimento, que foi arquivado. O vereador Benedito Furtado (PSB) anunciou aos presentes que a matéria havia saído de pauta, para reduzir a tensão no plenário. Questionado, Santana atribuiu a decisão à necessidade de discutir outras matérias: "tínhamos outros projetos importantes". Ao Metrópoles, ele não respondeu sobre o motivo. Uma nova homenagem exigiria novo requerimento.

O "time do verde e amarelo"

Na última sessão antes do segundo turno, em 22 de outubro, o Boqnews registrou que oito dos 21 vereadores apareceram de camiseta verde e amarela, algumas da seleção brasileira, em sintonia com a onda em favor de Flávio Bolsonaro. O jornal não apurou se a atitude foi combinada.

Entre os citados estão o líder do governo, Carlos Teixeira Filho (PSDB), que posou para foto com os colegas, além de Adriano Piemonte (União), Fabrício Cardoso (Podemos), Rafael Pasquarelli (União), Fábio Duarte (PL), Sergio Santana (PL), Rui de Rosis Jr. (PL), Adriano Catapreta e Alisson Sales (PL). Durante a votação do subsídio, Teixeira Filho brincou com o presidente da Câmara dizendo que a equipe havia "amarelado", em referência à cor da camisa.

Três dias depois, o candidato do PL venceu em Santos com 52,14% dos votos, mas perdeu a eleição nacional.

O que vem em 2027

A Câmara terá mudanças em fevereiro. Com a posse de Débora Camilo na Alesp, o primeiro suplente do PSOL, Fábio Mello, dirigente licenciado do Sindipetro-LP, assume a cadeira. Como apontou o Boqnews, a Casa começa 2027 sem nenhuma mulher entre os 21 vereadores. A psicóloga Claudia Alonso, suplente que ocupou a vaga de Fabrício Cardoso enquanto ele era secretário, não tem cadeira garantida.


Fontes consultadas: A Tribuna · subsídio votado, A Tribuna · emendas, Metrópoles (16/10), NC News (16/10), Diário do Centro do Mundo, Boqnews · Time do verde e amarelo (22/10), Boqnews · Câmara sem mulheres (6/10).