Baixada ganha uma cadeira na Alesp e perde uma em Brasília: o saldo das urnas de 2026
Seis deputados estaduais a partir de 2027, dois federais, Campopiano recordista e quase todos os reeleitos com menos votos. Em Santos, Rosana Valle abre 13,8 mil votos sobre Paulo Alexandre Barbosa.
A Baixada Santista saiu das urnas de 4 de outubro com um saldo contraditório. A região passa a ter seis deputados estaduais a partir de fevereiro de 2027, uma cadeira a mais que hoje e a maior bancada em 16 anos. Em Brasília, porém, encolhe: dos quatro deputados federais ligados à região eleitos em 2022, restam dois.
Alesp: seis nomes, duas estreias
Foram reeleitos Tenente Coimbra (PL), Paulo Mansur (PL), Caio França (PSB) e Solange Freitas (União Brasil). Estreiam na Assembleia duas vereadoras: Débora Camilo (PSOL), de Santos, e Eduarda Campopiano (PL), de Praia Grande.
Campopiano, de 23 anos, foi o fenômeno da eleição paulista: 1.956.238 votos, a candidata mais votada para a Alesp em todo o estado e a mulher mais votada da história da Baixada. Segundo o NC News, é a segunda maior votação nominal da história da Assembleia, atrás apenas de Janaina Paschoal em 2018. Ela fez dobradinha com Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal com mais de 3 milhões de votos.
Débora Camilo, com 94.895 votos, é a primeira representante da esquerda da região na Alesp desde março de 2015, quando Telma de Souza (PT) deixou a Casa, como lembrou o BS9.
O único deputado estadual da região que não se reelegeu foi Paulo Corrêa Jr. (Republicanos). Ele até cresceu, de 62.239 para 64.402 votos, mas ficou como segundo suplente.
| Deputado estadual | Partido | 2022 | 2026 |
|---|---|---|---|
| Tenente Coimbra | PL | 209.705 | 198.342 |
| Paulo Mansur | PL | 86.201 | 107.073 |
| Caio França | PSB | 105.173 | 99.840 |
| Débora Camilo | PSOL | — | 94.895 |
| Solange Freitas | União | 81.870 | 77.524 |
| Eduarda Campopiano | PL | — | 1.956.238 |
Câmara dos Deputados: de quatro para dois
Rosana Valle (PL) conquistou o terceiro mandato com 213.752 votos. Paulo Alexandre Barbosa (PSD), ex-prefeito de Santos, foi reeleito com 168.207. Delegado Da Cunha (União), eleito em 2022, ficou fora com 26.497 votos.
Como Alberto Mourão (MDB) já havia deixado a Câmara em janeiro de 2025 para reassumir a Prefeitura de Praia Grande, a região passa de quatro para dois deputados federais com base eleitoral local. O Santa Portal resumiu: a Baixada "mantém dois nomes em Brasília, mas perde representatividade direta".
Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente e ex-vereador de Praia Grande, também foi eleito deputado federal, mas sua trajetória recente é no Vale do Ribeira. Em Praia Grande, ele teve apenas 3.350 votos.
Quase todos os reeleitos perderam votos
A Tribuna e a VTV apontaram o mesmo fenômeno: entre os seis parlamentares reeleitos, só Paulo Mansur ampliou a votação, com alta de cerca de 24%. Rosana Valle caiu de 216.437 para 213.752; Barbosa, de 170.378 para 168.207; Coimbra, de 209.705 para 198.342, mas manteve a 8ª colocação geral na Alesp.
A leitura dos veículos regionais é que candidaturas fortes nos dois extremos, como Pavanato e Campopiano à direita e Erika Hilton e Sâmia Bomfim à esquerda, drenaram votos dos nomes tradicionais da região. O BS9 chamou o recuo de "sinal de alerta".
Em Santos, Rosana abre vantagem
O detalhe mais relevante para a política local está no recorte de Santos. Em 2022, Paulo Alexandre Barbosa venceu Rosana Valle na cidade (60.309 a 56.704). Em 2026, a situação se inverteu: Rosana fez 62.585 votos em Santos, contra 48.781 de Barbosa, uma diferença de 13.804. Barbosa, derrotado por Rogério Santos na disputa pela Prefeitura em 2024, perdeu mais de 11 mil votos na cidade que governou por oito anos.
Para a Alesp, Tenente Coimbra liderou em Santos com 36.775 votos, seguido de Débora Camilo (29.402) e Campopiano (18.548). Em Guarujá, chama atenção que três dos cinco estaduais mais votados eram vereadores da própria cidade, nenhum eleito. Em Praia Grande, Campopiano fez 31.319 votos, quase 13,2 mil a mais que Lucas Mourão (PSD), neto do prefeito, que não se elegeu.
Se a Câmara de Santos tem hoje 21 cadeiras, sete vereadores tentaram pular para a Alesp ou para Brasília nesta eleição. Só Débora Camilo conseguiu.
O que muda nas Câmaras
Com a posse na Alesp em 1º de fevereiro, Débora Camilo deixa a Câmara de Santos, e o primeiro suplente do PSOL, o petroleiro Fábio Mello, assume a cadeira. Em Praia Grande, a vaga de Campopiano fica com o empresário Marcel Farias (PL). Como mostrou o Boqnews, a Câmara de Santos começará 2027 sem nenhuma mulher entre os 21 vereadores.
Fontes consultadas: A Tribuna (5/10), A Tribuna · reeleitos com menos votos, BS9 · Balanço eleitoral (5/10), Santa Portal (4/10), Santa Portal · mais votados por cidade (5/10), VTV News (6/10), Boqnews (6/10), Costa Norte, Diário do Litoral.